A Cachoeira molha a todos, independente da cor do short de banho

Novas revelações feitas pela imprensa nacional trazem imagens de Carlinhos Cachoeira, notório contraventor que explora o Jogo do Bicho e máquinas caça-níqueis, oferecendo R$ 100 mil para o deputado federal Rubens Otoni (PT-GO). Nos dois vídeos, postados inicialmente no site da revista Veja, Otoni é orientado a não declarar o recebimento do dinheiro à Receita Federal e concorda prontamente, o que se configura aquilo que já conhecemos de longa data, o caixa dois das campanhas eleitorais.

Otoni disse que a conversa com Cachoeira ocorreu em 2004 quando ele era candidato a prefeito de Anápolis, cidade que fica a 45 quilômetros de Goiânia. Disse que fora procurado por políticos e empresários para ajudar Cachoeira a reerguer uma empresa de produtos farmacêuticos, a Vitapan, e que por não ter atendido o pedido tornou-se seu desafeto e desde então é chantageado com a possibilidade de divulgação do vídeo.

Entre marqueteiros e jornalistas do Estado de Goiás há muito tempo pairava uma suspeita de que Rubens Otoni tinha “entregue” a disputa à Prefeitura de Anápolis em 2004 

quando liderava as pesquisas e no último debate promovido pela TV Tocantins (do Grupo Jaime Câmara) simplesmente teve um comportamento pífio diante de Pedro Sahium, seu adversário e que se tornou prefeito naquele pleito. Otoni, não só não respondia a contento os questionamentos que lhe eram feitos, como também levantava a bola para cortadas perfeita de Sahium, foi assim que todos viram aquele debate considerado decisivo. E agora, fica claro o motivo quando o agora deputado federal admite que era chantageado.

Mas é aquela velha história. Quem não quer tempestade, que não plante vento. Ou, adaptando: quem não quer ser chantageado um dia, que não dê motivos. Até porque, por mais que acuse alguém que todos já sabiam que vivia à margem da lei de ser um chantagista, Otoni tem que admitir que ele, hoje arauto da lei (legislador que é) cometeu crimes também, e isto não é detalhe menor.

Cachoeira prova que suas águas, nada límpidas, continuam a molhar gente das mais diferentes agremiações partidárias. Se lá atrás foi pego com a boca na botija negociando propinas com o petista Waldomiro Diniz, empresário, e então assessor do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), mais recentemente veio à tona o seu envolvimento com outros políticos graúdos, em particular de Goiás, onde atua fortemente. Em operação da Policia Federal descobriu-se que Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (DEM) trocaram quase 300 telefonemas em um único ano, e que o parlamentar havia recebido cozinha, fogão e geladeira importados dos Estados Unidos de presente do contraventor, em valor estimado em R$ 30 mil reais. Descobriu-se também uma relação estreita do bicheiro com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e o deputado federal Jovair Arantes (PTB).

No início deste mês Valdomiro Diniz foi condenado a 12 anos de prisão pela Justiça do Rio de Janeiro, por envolvimento em irregularidades quando presidia a Loterj, a loteria do Rio de Janeiro. Ou seja, o assessor de José Dirceu já vai pagar à justiça. Que bom. Que a justiça seja feita com o assessor de Dirceu, com secretária e o motorista de Collor, com o caseiro de Palloci, o jardineiro de Beltrano e a babá de políticos mais próximos a nós aqui do Tocantins. Pra que ficar colocando sob 

suspeição os donos dos castelos e das mansões, o cinema policial B norte-americano já sabia desde sempre: a culpa é do MORDOMO (independente se ele tem filiação partidária “x” ou “y”).

Eu sou Melck Aquino, e essa é a minha opinião.

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