Delta pagou auxiliar de primeira-dama de Palmas, afirma PF. Solange quer investigação

Matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo de hoje, assinada por Natuza Nery, Breno Costa e Dimmi Amora, da sucursal de Brasília, traz a informação de que o tesoureiro da empreiteira Delta na região Centro-Oeste determinou, em agosto do ano passado, um depósito no valor de R$ 120 mil na conta de uma assessora da deputada estadual Solange Duailibe, primeira-dama de Palmas (TO). As informações foram obtidas pela Folha, junto ao relatório de escutas da Polícia Federal.

Rosilda Rodrigues dos Santos, de 29 anos, teve sua exoneração do cargo de assessora parlamentar da deputada estadual Solange Duailibe (PT), a primeira-dama, publicada no último dia 10, mas retroativa a 1º de março – dia seguinte à deflagração da Operação Monte Carlo, que desbaratou o esquema de Cachoeira.

A Delta, que pelos relatos levantados até aqui é parte central do esquema do empresário e bicheiro Carlinhos Cachoeira na lavagem do dinheiro da contravenção e na relação com políticos, detém um contrato de R$ 71 milhões para os serviços de coleta de lixo na capital tocantinense, administrada pelo petista Raul Filho. O contrato é contestado vem sendo contestado pelo Tribunal de Contas do Estado e pelo Ministério Público Estadual. Recentemente descobriu-se ainda que um Atestado Técnico emitido pelo CREA-TO e utilizado pela Delta em licitações pelo Brasil afora, não condiz com a realidade dos serviços prestados na capital do Tocantins.

O TCE-TO já havia multado em R$ 10 mil o prefeito Raul Filho e em R$ 5 mil Kennia Duailibe, irmã de Solange e casada com o vereador Ivory Lira, atual presidente da Câmara Municipal de Palmas, e pré-candidato do PT à prefeitura de Palmas. A multa a Kennia Duailibe foi porque habilitou a Delta sem os documentos necessários, exigidos por lei. Em 2006, Kennia era presidente da comissão de licitação da Prefeitura de Palmas.

A deputada Solange Duailibe através de nova à imprensa distribuída pela sua assessoria de imprensa que quer apuração dos fatos: “Quero que a polícia investigue o fato noticiado pela Folha, pois não posso responder por atos de terceiros”, afirmou a deputada. Uma atitude correta, transparente que procura facilitar a investigação da policia e demonstra um certo distanciamento da funcionária Rosilda, moradora da cidade de Araguaaçu, no sul do Estado, uma das bases eleitorais da deputada e cidade onde Raul Filho já foi prefeito ainda nos tempos de Goiás. Veja a integra da nota:

Sobre a matéria veiculada na Folha de São Paulo, tenho a declarar que:

Não tinha conhecimento do referido depósito. Fiquei sabendo através do jornal Folha de São Paulo, dias atrás. Quero que a polícia investigue o fato noticiado pela Folha, pois não posso responder por atos de terceiros. Rosilda Rodrigues dos Santos foi funcionária do meu gabinete e prestava serviços na região Sul do Estado. Sua função consistia num trabalho político/social, que não estava atendendo mais às necessidades, por isso foi dispensada.

Deputada Estadual Solange Duailibe

No fundo, muita coisa ainda deve aparecer na relação da Delta com prefeituras e com o Governo do Estado. Seria por demais sonhador de nossa parte acreditar que a construtora (e suas empresas associadas, como no caso do lixo), que foi a que mais cresceu nos governos do PT – Lula e Dilma – tenha uma série de irregularidades sendo apontadas em todos os negócios que ela se envolve e que somente aqui não haja um só deslize. Mas é preciso resguardar o amplo direito de defesa e apurar corretamente os fatos. Até acho que a CPMI do Congresso Nacional vai acelerar este processo e as coisas ficarão mais claras.

O certo mesmo é que diante de todos os indícios de irregularidades já apontados pelo Tribunal de Contas, o Ministério Público, a imprensa e a Polícia Federal, envolvendo a Construtora Delta, e o seu braço que lida com a coleta de lixo, vale a pena a Prefeitura de Palmas pensar numa alternativa para a prestação de serviços na capital. Não tarda muito as coisas podem chegar a um patamar insustentável e tudo que não queremos, como cidadãos, é a descontinuidade na coleta, que vale dizer, independentemente dos valores que estão sendo questionados, atende bem a população, com dias definidos para que o caminhão passe em cada quadra, e a manutenção da cidade limpa. Mas claro, que bom serviço não pode ser sinônimo de mandar o dinheiro público também pra lata de lixo. Se há indícios de irregularidades, vício na licitação, sobrepreço, e “otras cositas mas”, tudo merece ser investigado à fundo.

Eu sou Melck Aquino, e essa é a minha opinião.