Dulce Miranda – A bola da vez

Ainda nos primeiros dias do Blog no Melck no ar, quando eu analisava os nomes que se apresentavam como possíveis pré-candidatos à Prefeitura de Palmas, eu dizia o seguinte: “Dentro de casa, o ex-governador Marcelo Miranda tem uma esposa com peso eleitoral e que circula com desenvoltura na periferia de Palmas. Os mais próximos garantem que ela já descartou a possibilidade de uma candidatura e quer mesmo é virar advogada. Mas se Marcelo quer ser um dos protagonistas de 2014, uma postulação de Dulce Miranda, a ex-primeira dama, agora em 2012, é uma das vertentes possíveis na estratégia de longo prazo.”

Meses depois, mais precisamente em 23 de novembro, depois de muito tempo afastada da imprensa, consegui uma entrevista exclusiva com Dulce Miranda onde ao ser instigada com relação à política municipal e aos problemas que ela enxerga hoje em Palmas, Dulce confessou que se for pesar o poder ou a família ficaria com a segunda, mas que se o seu nome fossem consensual e agregasse um conjunto de forças, ela teria dificuldades de fugir ao chamado. Naquele momento, me dizia a ex-primeira dama: “Na reta final, se o PMDB, e o conjunto dos partidos que possam ser aliados entenderem que o único nome que pode agregar as forças para ser um projeto alternativo ao que temos hoje no Governo do Estado, eu jamais fugiria desta responsabilidade, mas confesso que eu não tenho me preparado para ser candidata em 2012, não faz parte dos meus planos”, afirmou Dulce Miranda.

Agora, a sempre competente jornalista Roberta Tum traz a informação, que tem circulado nos bastidores nos últimos dias, de que o empresário colombiano, naturalizado brasileiro, Carlos Amastha (PP), estaria disposto a abrir mão da cabeça de chapa e ser vice de Dulce Miranda (PMDB) na disputa pelo Paço Munipal. Segundo ela, até mesmo um encontro teria acontecido na semana passada na residência dos Miranda na Arse 41.

Em nota à imprensa, distribuída a pouco, o pré-candidato do PP, Carlos Amastha, negou que tenha se encontrado com Marcelo e Dulce, dizendo tê-los encontrado pela última vez ainda em fevereiro. Disse que busca construir uma chapa forte e ampla como uma terceira via, e que o PMDB é parte de seu projeto. E deixa escapulir, nas entrelinhas, que Dulce, ou mesmo Eli Borges, se conseguir unificar o PMDB e aparecer bem nas pesquisas, poderiam ser o nome. “O PMDB nunca fez o prefeito da capital. Poderia agora capitanear uma terceira via junto com PP, PSB, PCdoB e outros partidos, lançando uma campanha vitoriosa em Palmas. A proposta é que o nome deste grupo que esteja mais bem avaliado nas pesquisas seja o candidato”, declarou Amastha via nota distribuída por sua assessoria.

Não é de se estranhar que Amastha esteja procurando uma alternativa mais segura para ocupar seu espaço político. Pesquisas quantitativas e qualitativas que tive acesso parcial recentemente demonstram que sua candidatura não deve mesmo decolar. Não passa dos 3% de intenção de voto e nos grupos focais a desconfiança das pessoas quanto às intenções políticas do empresário, são muito cristalizadas.

Porém, o fator Dulce Miranda é sempre interessante neste debate sobre as eleições deste ano na capital. Ontem, ao participar do jantar oferecido pela FIETO para comemorar a posse da nova diretoria, que reconduziu Roberto Pires à presidência da entidade, tive a possibilidade de conversar com alguns políticos. Dulce, claro, foi um dos assuntos. Ouvi de alguém de peso no cenário, que as mesmas pesquisas apontam que Luana Ribeiro e Dulce Miranda são duas possíveis postulantes com índices de rejeição baixíssimos e que se unidas, poderiam fazer sombra à candidatura de Marcelo Lelis. Essas pesquisas, em particular a qualitativa (onde pessoas são reunidas em grupos por afinidades e discutem a conjuntura), estariam demonstrando que o momento está muito propenso para Lelis. Por outro lado, a falta de respostas do Governo a questões cruciais no campo da saúde e segurança pública, dentre outros temas, pode prejudica-lo. E por quê? Porque Lelis vai ter que conviver na campanha com o bônus significativo de ter o apoio do Palácio Araguaia, mas também com o ônus de responder por problemas de gestão que não lhe dizem respeito, mas que o eleitor não entende assim. Isto já estaria aparecendo de forma muito clara nos chamados grupos focais.

Assim, Luana, Raul Filho e João Ribeiro, tendo Dulce Miranda ao lado como possível candidata a vice-prefeita, poderiam ousar apresentar ao eleitorado uma chapa de duas mulheres, porém, com densidade eleitoral, e a somatória do envolvimento dos Miranda, que não é desprezível. Se os caciques peemedebistas forem pensar num projeto de longo prazo, esta segunda alternativa me parece mais plausível do que uma aproximação com Carlos Amastha. PR, PMDB, PT e outros partidos ligados a Raul e Ribeiro teriam um tempo de televisão invejável, densidade eleitoral, recursos suficientes para uma campanha que promete ser cara e inserção real na capital (principalmente por conta do petismo militante e do trabalho de cooptação de lideranças comunitárias feito pelo grupo de Luana). Já uma união PMDB/PP serviria tão somente para fragilizar um projeto de longo prazo com vistas ao Palácio Araguaia, e ainda reuniria dois partidos que nunca tiveram grande capilaridade nas entranhas da capital, e suas lideranças localizadas.

É uma costura complicada. Afinal, é uma costura que anteciparia debates que precisariam avançar rapidamente nos bastidores e que envolveria as possibilidades de alianças para 2014. Porém, é um quadro que novamente coloca Dulce Miranda num pedestal, e faz dela a jogadora que todo mundo quer ter no time, seja na condição de centroavante, seja na retaguarda como um volante para ajudar a armar o jogo e ao mesmo tempo conter o avanço do adversário.

Mas, como nem tudo é linear, há ainda de se considerar um certo “saco cheio” por parte do senador João Ribeiro com relação à ausência de uma postura firme de seus novos aliados, mas isto é assunto para outro artigo que pretendo desenvolver ainda hoje.