João Ribeiro e as eleições em Palmas

Eu nunca duvidei do potencial eleitoral do prefeito Raul Filho e da sua capacidade de ainda influenciar o voto de muita gente. E cansei de dizer isto aqui no meu Blog pra desespero de alguns intelectualizados e formadores de opinião que me seguem, mas que, de forma justa (é bom que se diga), enxergam nele um administrador que deixa muito a desejar.

Raul fez diferença na vida de muita gente da periferia com as escolas de tempo integral, com os projetos de moradia popular em parceria com o Governo Federal, no atendimento básico de saúde que tem salvo o HGP de uma situação pior ainda do que se encontra (mesmo deixando a dívida dos hospitais da região sul e norte que prometera na campanha e não cumpriu). Fez diferença também na relação estreita e de apoio que manteve com os setores religiosos da cidade, sempre atendendo suas demandas por áreas, estrutura para eventos e “otras cositas mas”.

Porém, Raul deixou a desejar no cumprimento das promessas de pavimentação asfáltica (que o diga a 408-Norte, minha quadra, promessa de campanha nas suas duas candidaturas vitoriosas), macrodrenagem, combate à dengue, no apoio às iniciativas culturais, no incremento ao turismo e às atividades econômicas do município, dentre outros assuntos. É acusado por muitos de falta de pulso forte e por deixar as coisas andarem a revelia do seu comando nas secretarias.

Não convivo no dia-a-dia com Raul Filho, apesar de admirá-lo pelo seu carisma e tratamento dispensado a todos que com ele querem falar. Mas, no pouco que já vi dele, sei da sua capacidade de influenciar pessoas e de aglutinar em torno de si lideranças. Até porque o carisma que fonte de minha admiração pelo político Raul faz uma diferença danada, e a ele se soma o fato dele não correr de debate algum, por mais cabeludo que possa parecer, coisa muito comum de acontecer neste meio. Mas nesta questão da unificação do seu grupo político em torno de uma candidatura única, confesso que tenho notado certo desdém do prefeito petista.

Já havia falado aqui, em outro momento, que pela primeira vez na minha vida tinha visto um prefeito que quer fazer o sucessor tirar férias em ano eleitoral e viajar para o exterior, como Raul fizera recentemente. Como se não bastasse, ele fez todo um esforço de mobilização junto com Ivory de Lira, presidente da Câmara Municipal de Palmas, e seu aliado de sempre dentro do PT, e conseguiram “fazer” (usando um 

linguajar do meio) o diretório metropolitano de Palmas. E agora, assistem os grupelhos minoritários fazerem mais barulho do que eles e anunciarem aos quatro ventos que o PT terá candidato próprio. Pior, apresentam o nome do deputado estadual José Roberto Forzani como pré-candidato em Palmas. Meu amigo pessoal desde os tempos da militância política em Goiás nos anos 80, Zé Roberto não tem cacife eleitoral nenhum em Palmas, cidade de onde, com muito custo, tirou 316 votos em 2010. Arrisco-me a dizer que se o meu amigo Zé fosse o único candidato a prefeito, eu teria coragem de enfrenta-lo na disputa.

Como se não bastasse, PSB rachado, com o deputado Wanderlei Barbosa de um lado e o reitor Alan Barbiero de outro, e Edna Agnolin e seu esposo, o deputado federal Angelo Agnolin, dando pistas para quem quiser tê-las, de que ela não engole a possibilidade de ser preterida da disputa pelo Paço Municipal. Caminhando ali do ladinho o PR com Hermes Damaso mantendo seu nome, sem nem conseguir ocupar espaço na imprensa que justificasse essa bobagem da pré-candidatura como forma de melhor divulgar o seu nome para a reeleição a vereador, e a deputada estadual Luana Ribeiro. Esta última fez a lição de casa e foi pra rua quando anunciavam que a pesquisa seria o balizador da escolha. Agora vê alguns dirigentes do grupo rauzista, e até o próximo, dizendo que a pesquisa é “um dos critérios”.

Sinceramente… Raul deixou a coisa desandar. Se João Ribeiro acredita mesmo que Luana Ribeiro pode ser importante para seus projetos eleitorais futuros, precisa tomar as rédeas. Precisa começar, ele mesmo, procurar um a um e negociar as condições do apoio para Luana, sob pena de ver esfacelar de vez o grupo que gravita em torno de Raul Filho, que prestes a deixar a Prefeitura, não parece muito empenhado ou disposto a criar atritos que prejudiquem seu estratagema. Com olhos voltados à frente, Raul me remete ao Bono Vox da banda U2 ao contar em português na música Vertigo, onde ele diz: “um, dois, três, quatorze…”. O que aparentemente poderia parecer um erro de contagem, na verdade é a introdução de um estado de vertigem de que fala a música do U2, da perda da noção dos acontecimentos, mais ou menos o que vejo ocorrer no momento com Raul e seu grupo. E o simbólico da coisa, que me faz puxar a semelhança é que Bono pula para 14. Seria as eleições de 2014 povoando a mente do prefeito de Palmas, já fazendo desdém com o embate deste ano? Se for, atrevo-me a dizer que ele está errado.

Particularmente sou daqueles que acham que o processo eleitoral está muito tranquilo para Marcelo Lelis em Palmas. Há quem diga que se o candidato verde ficar calado, ele ganha a eleição. Não exagero assim. Acho mesmo que tudo é fotografia de momento e neste momento, Lelis lidera, com folga, as intenções de voto até porque encarna, como ninguém, um sentimento anti Raul que perpassa entre boa parte dos formadores de opinião e setores importantes da sociedade civil organizada.

No entanto, sua performance eleitoral vai ser profundamente influenciada pelas gestões de Siqueira Campos no Governo e de Raul Filho na Prefeitura, bem como pelo seu comportamento durante a campanha que está por começar. Ainda há muita coisa em disputa, muita água pra correr debaixo da ponte (ou por cima do asfalto, sem escoamento), e muito terreno a ser conquistado. Não existe eleição ganha antes da apuração dos votos. A polarização de forças entre Luana e Lelis só se dará, se João Ribeiro se unir a Raul e, juntos, reconquistarem o grupo todo. Sinto mesmo que Raul já não pode ser detentor exclusivo de uma carta branca pra ir levando em banho-maria uma disputa que tem muita coisa em jogo.

Como defensor do debate franco e aberto, e sabedor que democracia exige o contraditório, torço para que esta eleição tenha dois, três ou quatro candidatos fortes. Ganharemos todos 

que escolhemos Palmas para morar e acreditamos que a vida aqui pode ser melhor. Não acredito, em hipótese alguma, em eleição previamente ganha. A única eleição ganha, sem discussão, é pra Deus, e isto porque Sarney não passou dessa pra melhor. Senão… Hummmmm…

Eu sou Melck Aquino, e essa é a minha opinião.