João Ribeiro não anda disposto a ficar esperando o trem passar

Enquanto fervilha nos bastidores a possibilidade de Dulce Miranda (PMDB) vir para a disputa pela Prefeitura de Palmas , ouço um ti-ti-ti nos bastidores da política de que articuladores ligados a Lelis estão se movimentando, e até mesmo conversações mais amigáveis com o senador João Ribeiro teriam sido deflagradas diante do quadro de incertezas que o parlamentar republicano tem encontrado nas hostes rauzistas. Eu explico!

Raul Filho, com uma administração desgastada e muito criticada, mas carismático e feroz quando se trata da busca pelo voto (algo que aparece em pesquisa qualitativa que tive acesso a dados parciais), estaria cozinhando o galo demais para ser mais enérgico na tomada de uma posição pela sua sucessão. Prometeu anunciar o nome que teria seu apoio para o final de fevereiro, mudou depois para o início de março. O mês de abril chega. Amanhã é 1º de abril e eu adoraria ouvir que o Programa do Faustão acabou. Mesmo sendo uma mentirinha inocente. Mas algumas verdades são irrefutáveis para esse domingo. Por exemplo: Flamengo vai ganhar do Bangu, São Paulo vai ganhar do Ituano e o Goiás vai vencer o clássico com o Vila Nova. Mas se alguém me disser que Raul anuncia quem apoiará nos próximos dias, eu direi: “Dia da Meeeeeeeentira!” Não há nenhuma sinalização de que isto ocorrerá nos próximos dias.

Aí quero lembrar que João Ribeiro já teria enfrentado um Raul vacilante em 2008, quando chegou a pensar em apoiá-lo, mas que diante da demora pela sua definição se sairia à reeleição, acabou abraçando (e com muito empenho) a candidatura de Marcelo Lelis. Vale lembrar que Raul só anunciou que seria mesmo candidato à reeleição no dia 09 de junho de 2008, ao lado de uma Edna Agnolin com cara de paisagem e vontade de pular no pescoço dele estampada nos olhos.

No caso do PMDB, quando hipotecou apoio ao governo de transição e depois ao mandato tampão de Gaguim, a experiência de João Ribeiro não foi também das melhores. Enquanto os peemedebistas acenavam para o senador como um aliado que poderia até mesmo ter o apoio deles como candidato a governador em 2010, com a outra mão puxavam o tapete com gosto.

Pelo jeito, Ribeiro aprendeu com tudo isto e já não estaria nem disposto a esperar “sine die” por uma posição de Raul, nem tampouco embarcar numa negociação com o PMDB que ficasse no campo somente das intenções veladas sem compromissos públicos assumidos. Minhas fontes garantem que Ribeiro não acredita em coelhinho da Páscoa, mas vai esperar que ela passe para assumir uma postura de vanguarda no debate de Palmas. O senador não quer ficar assistindo o trem passar.

E vale resgatar que o senador republicano foi inteligente de sempre dizer que sua postura com relação ao Governo do Estado não era de rompimento, e que a convivência institucional permaneceria de alto nível. Por outro lado Ribeiro sabe que há um rompimento eminente, que se não for agora ocorrerá quando o debate sobre 

2014 tomar corpo, já que pelo que tudo indica sua postulação pelo Governo do Estado pode bater de frente com as intenções de Eduardo Siqueira Campos, que nos bastidores seria o nome à sucessão de Siqueira por parte da histórica União do Tocantins.

Portanto, abril será um mês decisivo para João Ribeiro. Mês em que ele pode consolidar as candidaturas de Luana (Palmas), Dimas (Araguaína), Goiaciara (Gurupi) e outras pelo interior a fora e, de quebra, aprofundar sua aproximação do PT e do PMDB numa trajetória de rompimento com Siqueira Campos, ou, adiar este debate e manter-se no seu grupo de origem para evitar perder prefeitos, vereadores e lideranças locais sem muita coragem (e costas quentes) para vestirem a camisa oposicionista. Abril promete! Lá atrás, o rompimento de Marcelo Miranda com Siqueira Campos não deixou de ser um marco para a política tocantinense. Sinto que a posição do senador João Ribeiro (seja numa postura de FICO, seja numa postura de FUI) será outro marco. “Quem for vivo” (nos dois sentidos) verá!