Jornalista assassinado no MA

O jornalista Décio Sá foi executado a tiros, na noite de ontem (23), por volta de 23h15, na Avenida Litorânea, em São Luís, capital do Maranhão. Ele levou seis tiros de um homem que estava em uma motocicleta. Segundo informações, um homem desceu da motocicleta, atravessou a pista e foi até o bar Estrela do Mar onde o jornalista se encontrava e disparou seis tiros. Um outro homem ficou aguardando o assassino do outro lado da pista.

O jornalista recebeu seis tiros pelas costas, sendo quatro na cabeça e dois nas costas. A perícia constatou que os tiros foram disparados de uma pistola 0.40, arma de uso exclusivo da polícia.

Décio Sá tinha 42 anos e era repórter da editoria de política de O Estado do Maranhão e autor de um dos blogs mais acessados do Maranhão, conhecido na capital maranhense por denúncias contra setores públicos e políticos, e cobertura de assuntos policiais: http://www.blogdodecio.com.br. Ele deixa esposa e filha de oito anos.

E a morte de Décio Sá se deu exatamente no dia em que relatório da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) apontava para um aumento nos casos de assassinatos de jornalistas no Brasil – no período de seis meses, foram registrados 27 casos de crimes e violências contra a imprensa, incluindo assassinatos, agressões e atentados.

A sociedade pede punição aos homicídios e afirma que a morosidade da Justiça estimula a impunidade no Brasil. Reunidos neste final de semana em Cádiz, na Espanha, a sociedade destacou que, de cada cinco jornalistas assassinados no Brasil, três crimes estavam relacionados ao exercício da profissão. Levantamento do CPJ (Committee to Protect Journalists)indica que o Brasil é o 11º país do mundo em que os assassinatos de jornalistas mais ficam impunes.

Indiscutivelmente o assassinato do jornalista e blogueiro Décio Sá é uma afronta à liberdade de imprensa e ao estado de direito que só merece uma resposta: a prisão dos executores, mas principalmente a descoberta e punição dos mandantes. Ficou muito claro que o crime se trata de uma encomenda feita a pistoleiros profissionais, algo muito comum no norte e nordeste do país.

Eu que já trabalhei em campanha política na cidade de Caxias do Maranhão, já ouvi muitas histórias de assassinato de jornalistas até hoje sem solução, a mais antiga já vai para 30 anos. Nesta mesma cidade, que é considerada a quarta maior do Estado do Maranhão, ainda no início deste ano o ex-deputado federal Paulo Marinho foi denunciado pelo Sindicato dos Jornalistas daquele estado por ter ameaçado de morte o jornalista Jotônio Viana, correspondente do Jornal Pequeno. Portanto, impera em São Luís, mas também pelo interior do Maranhão, do Pará, do Piauí, do Rio Grande do Norte, do Pernambuco e outros estados da região, um clima de intimidação constante a jornalista e radialistas que colocam suas funções a serviço da comunidade e que ousar denunciar crimes contra o patrimônio público, atos de corrupção, envolvimento com crime organizado, e coisas do gênero. O pior é que muitas vezes os aparatos de segurança pública têm em seus quadros indivíduos coniventes com essas ações.

A 68ª Assembleia-Geral da SIP, a mesma que ontem trouxe os dados preocupantes de assassinatos no Brasil contra jornalistas, está marcada para a cidade de São Paulo, entre os dias 12 e 16 de outubro deste ano. A melhor recepção que os delegados de todo o mundo teriam seria saber que alguns destes crimes foram solucionados e os executores e mandantes estão encarcerados pagando pelos seus atos e, de tabela, servindo de exemplo para que outros não apostem na impunidade.

Eu sou Melck Aquino e essa é a minha opinião.