Lelis deve apostar agora em varrer pra dentro gente com musculatura política

Até aqui o deputado estadual Marcelo Lelis tem construído uma pré-candidatura muito baseada num trabalho de formiguinha bem estruturado. Trouxe para o seu lado o apoio de pequenos partidos, os chamados nanicos, mas que possuem boas chapas de pré-candidatos a vereador, que ajudarão a colocar a campanha na rua. Também desenvolve um trabalho via o seu Partido Verde de coleta de sugestões para a cidade que lhe permite, com o projeto “Palmas é você quem faz”, e do alto dos cargos de deputado estadual e presidente de um partido, dialogar com a população sobre os problemas da cidade sem ferir a legislação e ser acusado de propaganda antecipada.

Lelis herdou das eleições de 2008 um patrimônio político-eleitoral que tratou de ampliar. Num primeiro momento se opôs à eleição indireta na Assembleia Legislativa, mas uma vez aprovada votou em Gaguim e compôs o seu Governo. Foi depois o primeiro do grupo historicamente oriundo da União do Tocantins a romper com Gaguim e abraçar a então pré-candidatura de Siqueira Campos ao Governo do Estado, e em sua chapa, acabou sendo o terceiro mais votado para deputado estadual, mas com um sufrágio consagrador na capital. Paralelamente foi acumulando uma série de lutas de cunho popular, como de defesa dos reajustes salarias dos servidores e a luta contra o aumento do transporte coletivo da capital, que lhe fez conquistar ainda mais a simpatia popular.

Se por conta de um ziguezague lá atrás, baseado na sobrevivência política, havia certas resistências de setores da União do Tocantins com relação à sua pré-candidatura à Prefeitura de Palmas de Marcelo Lelis, elas se dissiparam. E por quê? Por mérito do próprio deputado verde que se consolidou no meio da população, catalisou o sentimento anti Raul Filho, lançou mão de mecanismos modernos de contato com seu eleitorado e viu seu nome alcançar índices de intenção de voto superiores a 50%. Nada que não seja reversível pelos adversários, claro. Até porque pesquisa de intenção de voto é fotografia de momento e em campanha somente a apuração dos votos é a garantia sine qua non da vitória.

Mas para ainda aparar algumas arestas e dar uma envergadura de grupo grande, conversas de bastidores dão conta que neste mês de maio Marcelo Lelis entra numa nova etapa. Vai começar a envolver na sua 

pré-campanha alguns pesos pesados da política tocantinense. A começar pelo PSDB, via aquele que já foi também pré-candidato à prefeitura de Palmas, o deputado federal Eduardo Gomes. Eduardo, que anda sumido de Palmas, absolvido pelas tarefas nacionais de 1º Secretário da Mesa Diretora da Câmara, que coloca em evidência, como nunca, um político tocantinense, parece disposto a dedicar-se um pouco mais à capital e ao jogo de amarração interna da base política governista em torno da candidatura de Lelis. Algo que, sem sombra de dúvidas, Eduardo Siqueira Campos já vem trabalhando nos bastidores, como principal “padrinho” da candidatura Lelis, mas que por conta do cargo que ocupa na estrutura do Governo, precisa muitas vezes se abster de uma postura mais agressiva eleitoralmente, algo que Gomes tem cacife, experiência e jogo de cintura pra fazer.

E engana-se quem acredita que a grande amizade de Gomes com o senador João Ribeiro (PR) será capaz de fazê-lo deixar o ninho tucano para embarcar num projeto com Luana e Raul Filho. Até porque Gomes sempre foi um dos críticos mais sarcásticos e duros ao prefeito. Eduardo vai se vestir de verde e, de quebra, vai trabalhar duro para ver o irmão Hiran Torres Gomes, atual presidente da Associação dos Servidores da Assembleia Legislativa, tornar-se vereador da capital.

Na esteira, devem vir também para o fechamento oficial dos apoios a senadora Kátia Abreu, o deputado federal Irajá Abreu e o vereador Valdemar Jr, todos do PSD e com seus raios de influência na capital tocantinense. E no caso da família Abreu, ainda trazendo na bagagem a tarefa de eleger Iratã Abreu vereador. A eles, devem se somar o DEM do vereador Fernando Rezende e da deputada federal Dorinha Seabra, ambos igualmente com seu naco de participação na política tocantinense. Rezende, que já fora cotado para vice de Lelis no desenrolar dos fatos vê cada vez mais longe essa possibilidade, e vai mesmo para a reeleição.

Talvez por um endurecimento estratégico e uma postura de mercador habilidoso, Antônio Jorge do PTB, com a anuência do deputado estadual José Geraldo, que preside o partido no Estado, deve ser o último representante dos grandes partidos da UT a se render à candidatura de Lelis. E quando falo de grandes partidos penso naqueles que por conta de suas bancadas federais possuem tempo de rádio e televisão que podem ajudar a fazer diferença no palanque eletrônico.

O certo é que o deputado Marcelo Lelis deve entrar o mês de junho, quando se inicia as convenções partidárias, com o conjunto dos partidos utistas unidos em torno do seu nome (a exceção do PR, se considerado os partidos que apoiaram Siqueira em 2010) para que a grande festa de adesão oficial do governador Siqueira Campos a sua pré-candidatura à prefeito venha a público. Um bônus e tanto para quem já lidera as intenções de voto, mas também um ônus monstro do ponto de vista de que ele passará a ser vidraça e ter que dar respostas às ações do Governo, mesmo sendo uma eleição de âmbito municipal. Se o Governo do Estado e suas ações já em andamento na saúde, na educação, na recuperação de estradas, e nos programas de caráter social (como os de combate à fome) tiver respaldo popular, Lelis lucrará muito. Senão, pagará um preço caro.

Eu sou Melck Aquino, e essa é a minha opinião.