Médico e empresário do setor educacional e de biocombustível assume Secretaria da Saúde

Ao discursar ontem para um auditório do Palácio Araguaia cheio, o governador Siqueira Campos pontuou uma série de questões que afligem o Estado, além de enaltecer a competência técnica e político-administrativa dos novos auxiliares anunciados (veja matéria aqui). Porém, chamou a atenção o fato do Governador concentrar a maior parte do seu discurso em dois pontos que nos últimos dias tem sido manchete de jornais e sites de notícias, além de assuntos recorrentes das reportagens televisivas e das emissoras de rádio: os graves problemas no setor da saúde, e o crescente aumento da criminalidade, com uma ampla sensação de insegurança entre a população.

Trato neste artigo da questão da sáude. Até porque Siqueira Campos disse que hoje apresentaria “um nome para arrebentar na saúde, no bom sentido da palavra, no de fazer as coisas acontecerem como o povo precisa”. Aquela coisa do tipo: vem aí  “O CARA”. Não sei se pela empolgação ou num ato de insatisfação com o trabalho gerencial até aqui realizado na saúde, nas entrelinhas o Governador deixou transparecer que a área carecia até aqui de um nome de peso e capacidade administrativa para fazer com que a complexidade do setor saúde pudesse efetivamente funcionar.

Agora já se sabe que a abissal tarefa caberá ao presidente do grupo Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos – Itpac, Nicolau Carvalho Esteves. O médico, empresário do ramo educacional e produtor de biocombustível Nicolau Carvalho Esteves atua no Tocantins como dono de duas unidades do ITPAC, nas cidades de Araguaína e Porto Nacional, e em março do ano passado, ao lado do governador Siqueira Campos, havia anunciado a intenção de atuar fortemente para viabilizar uma Faculdade de Medicina particular na capital. Agora, vem gerenciar a política pública de saúde do Estado.

Nicolau Carvalho Esteves é médico muito conhecido no interior do seu estado, Minas Gerais, onde fez nome como médico ortopedista e também como proprietário da Universidade Presidente 

Antônio Carlos e da Faculdade de Medicina, ambas em Barbacena. Ele é também diretor-presidente da empresa Fusermann, que atua no setor de biocombustível com uma unidade de produção de pinhão manso na cidade paulista de São Miguel Arcanjo, que já está produzindo para atender o mercado europeu.

Em setembro do ano passado Nicolau Carvalho Esteves, lançou a pedra fundamental das instalações do Instituto de Educação Superior do Vale do Parnaíba, estendendo seu braço empresarial no setor educacional para o Piauí, pretendendo ali instalar o primeiro Curso de Medicina da importante cidade de Parnaíba, um polo turístico daquele estado. 

Ele também é um dos sócios da Faculdade de Medicina de Garanhuns (Fameg), no Pernambuco, cidade natal do ex-presidente Lula. Recentemente a FAMEG foi duramente contestada pelo Conselho Regional de Medicina do Pernambuco por conta de ausência de autorização do Ministério da Educação para o seu funcionamento. Nicolau Esteves foi um que pessoalmente se empenhou para viabilizar a realização do vestibular da instituição em Garanhuns, argumentando que a Faculdade tinha autorização da Secretaria Estadual de Educação para seu funcionamento. Ao consultar a Secretaria de Educação Superior do MEC, descobriu-se que de nada valia a autorização da Secretaria da Educação para a Fameg já que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que este tipo de documento só é válido para instituições públicas, o que não se aplica à instituição.

Médico ele é! Gestor privado já está provado que também é, e como tal, acumula vitórias importantes, e também embates com o ministério público, com o poder judiciário e com o MEC, que nada mais é do que parte do processo de qualquer um que atue como empresário que explora o ensino universitário. O que me preocupa é que as expectativas estão por demais infladas, como é comum ocorrer em campanhas eleitorais quando se vende sonhos com muita facilidade. Só que o pesadelo da saúde não nos permite mais cometer muitos erros (ainda que saibamos que alguns serão inevitáveis).

Estamos agora falando em gerir política pública de saúde, e ontem, o governador Siqueira Campos declarou com todas as letras que o novo secretário da Saúde seria “um profissional de mão cheia, capaz de resolver todos os problemas da saúde de nosso Estado”. Uma panaceia para todos os males, que eu particularmente não acredito. Não acredito porque já manifestei aqui que a questão da saúde é por demais complexa para se resolver sem uma ação coordenada interestadual e com a supervisão e planejamento estratégico do Governo Federal. Não acredito porque sei que a gestão da coisa privada é diferenciada quando se trata da coisa pública, e particularmente eu esperava uma solução mais técnica, mas com experiência de políticas públicas. Mas, como cidadão, muito antes da condição de jornalista e analista político, eu estou na torcida pelo sucesso do Dr. Nicolau Carvalho Esteves, que tão logo seja possível quero conhecer pessoalmente. Até porque, o seu sucesso só trará benefícios para todos nós que aqui escolhemos viver e que carecemos de mais atenção para o setor da saúde, tão combalido e necessitado.

Eu sou Melck Aquino, e essa é a minha opinião.

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