Um em cada três membros da CPI do Cachoeira já foi alvo de algum tipo de denúncia

Há um dito popular que recomenda que não se deve colocar raposa pra cuidar de galinheiro. Pois bem… Na edição impressa de hoje do Correio Braziliense eis que surgem os números dando conta de que pelo menos um terço dos 32 titulares da Comissão Parlamentar Inquérito Mista (CPMI) que investigará as ligações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários já estiveram na condição de investigados, expostos a denúncias e execração da opinião pública.

Talvez o maior símbolo deste grupo seja a figura emblemática do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). Vinte anos atrás, depois de bater no peito e 

querer passar por cima da força dos partidos políticos e fazer pouco caso dos cara-pintadas que lotavam as ruas, ele desceu humilhado a rampa do Palácio do Planalto, vítima que foi da cassação do seu mandato pelo Congresso Nacional. Agora terá a incumbência de investigar seus pares no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, dentre eles seu colega Demóstenes Torres (sem partido-GO), o ex-paladino da moralidade pública.

Independentemente de qualquer coisa eu gostei mesmo foi de Collor, que na sua visão, foi muito perseguido pela imprensa (é sempre assim, pra políticos pegos com a boca na botija a culpa é sempre da imprensa), anunciou que trabalhará contra o vazamento de informações à imprensa e disse que quer colocar luz nas relações de repórteres e veículos de comunicação com a quadrilha de Cachoeira. Nisso vai sobrar pra Revista Veja. E isto é bom. Bom demais! Pois acredito que vai desmascarar muita coisa que muitos já desconfiavam.

Mas ao senador Collor, que a bem da verdade já pagou o que devia à justiça com os anos de inelegibilidade, se juntam alguns nomes levantados pelo jornal Correio Braziliense. São eles:

• Kátia Abreu (PSD-TO) – teve seu nome citado em escutas feitas pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha, em 2008. Um aliado do empresário Daniel Dantas afirmava que a parlamentar tocantinense recebera R$ 2 milhões de uma empresa para apresentar emendas a medida provisória, e que era de interesse do grupo. Bom que se diga que a denúncia nunca foi comprovada.
• Odair Cunha (PT-MG) – acusado de usar sua cota de passagens aéreas para financiar a viagem de um amigo entre Buenos Aires e o Rio.
• Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) – teve o mandato de governador cassado em 2009 por ter usado um programa social em benefício de sua candidatura. Só assumiu porque o STF entendeu que a pena de inegibilidade já havia sido cumprida.
• Humberto Costa (PT-PE) – ele era ministro da saúde quando veio à tona o escândalo dos sanguessugas. Na época ele foi absolvido das denúncias.
• Jayme Campos (DEM-MT) – acumula processos na justiça, entre eles um de improbidade administrativa.
• Protógenses Queiroz (PCdoB-SP) – ele foi o autor do requerimento que criou a comissões, e ao mesmo tempo foi flagrado em conversas com Idalberto Matias Araújo, o Dadá, braço direito de Cachoeira.
• Paulo Davim (PV-RN) – admitiu recentemente que mantinha na folha de pagamento uma médica que trabalhava no Rio Grande do Norte e que nunca lhe prestara serviço.
• Cândido Vaccarezza (PT-SP) – ex-líder do governo na Câmara, foi acusado de ser funcionário fantasma no gabinete de um vereador paulista na década de 90.
• Silvio Costa (PTB-PE) – ocupou o noticiário por conta da defesa apaixonada do filho, Silvio Costa Filho, que entregou o cargo de secretário de Turismo de Pernambuco depois de denúncias de superfaturamento na empresa estadual de turismo.
• Gladson Cameli (PP-AM) – foi pego dirigindo alcoolizado em janeiro deste ano.

A bem da verdade talvez o Correio Braziliense tenha exagerado, já que condenados mesmo na lista do jornal somente foram Cássio Cunha Lima e Fernando Collor de Mello. Mas o temor que a CPMI se transforme numa imensa pizza em função daqueles que a integram não deixa de ser assunto corrente nos bastidores da política. Se ela era tida, antes da sua instalação, como a CPI DO FIM DO MUNDO, agora já corre a gozação em Brasília que seu apelido será a CPI DO FAZ DE CONTA.

Tomara que a opinião pública, a atuação da Polícia Federal e do Ministério Público, e a fiscalização constante da imprensa, exerçam uma pressão tão forte que desta vez alguém saia punido. Até porque já é corrente a ideia de que quando se quer apurar de tudo e não punir ninguém, o Congresso instala uma CPI. Isto precisa mudar. Chega desta história de “faz de conta”.

Eu sou Melck Aquino, e essa é a minha opinião.

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *